terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Blogueiro viu "Heroes" S01/S02


A séries Heroes estreou em 2006, ano de lançamento nos cinemas do terceiro longa da franquia X-Men. Os quadrinhos e desenhos dos mutantes acompanharam minha infância e adolescência. Quase tive um treco quando soube que eles iriam parar no cinema. O primeiro filme da trilogia é de 2000.

Quando soube da série
Heroes, me interessei, mas com um pé atrás. Achei que seria apenas um seriado que iria se aproveitar da então onda do momento X-Men. Cheguei a ver uns três ou quatro episódios, mas não me envolvi muito e parei.

Pois bem, resolvi dar uma segunda chance para os heróis e me surpreendi. Não só comigo mesmo, por não ter gostado antes, mas por ser uma estória muito interessante e original. Até mais próxima da realidade do que os discípulos e inimigos do professor Charles Xavier. Os heróis são pessoas comuns, que não usam uniformes. Tem coisa mais cafona do que o uniforme do Superman, por exemplo? Cueca por cima da calça não rola.


O roteiro não escapa de fórmulas dramáticas batidas e tem alguns furos, mas é bem amarradinho. Chega a propor uma reflexão filosófica sobre o o bem e o mal, o certo e o errado, e as escolhas provenientes desta separação, mas o faz de uma forma bem superficial. Visto isso, é desnecessário afirmar que a série cumpre bem o seu papel: entretenimento puro. Da melhor qualidade.


Recomendo. Vi as duas primeiras temporadas, mas ainda estou atrasado. Já está na quarta.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Flash Forward", o novo "Lost"


Em 2010 irá ao ar a última temporada de Lost. Mas ela já tem uma substituta: Flash Forward. A série, que está no quarto capítulo da primeira temporada, tem como protagonistas Joseph Fiennes e Sonya Walger (a Penelope Widmore, de Lost). As semelhanças vão do argumento intrigante ao elaborado suspense, passando pela incrível qualidade da produção.

Toda a população da Terra sofre um desmaio geral por dois minutos e 17 segundos. Durante o evento, todos têm
misteriosas visões do futuro. Ou quase todos... O agente do FBI Mark Benford (Joseph Fiennes) é o responsável pela investigação do caso. O seriado alterna, com uma montagem primorosa, o drama pessoal dos personagens principais com as atividades do FBI.

O Blogueiro recomenda. Aproveite que está no começo. Fica fácil de acompanhar. Toda quinta, na ABC. Ou, download neles !!!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Momento nerd: "The Big Bang Theory" & "The IT Crowd"


Me falaram muito bem da série The Big Bang Theory, mas não gostei muito. Primeiro, porque aqueles risinhos, gargalhadas e palmas gravadas de sitcoms americanas me incomodam. Segundo, porque achei a maioria das piadas e situações muito forçadas.

São quatro amigos físicos, nerds ao extremo, e uma vizinha loira e gostosa. Um deles, indiano, não fala com mulheres. Não os considerei falsamente estereotipados. Por já ter conhecido alguns nerds como esses, não duvido que eles existam. E alguns episódios são realmente engraçados, mas o seriado não me consquistou.

Dá pra se divertir? Dá. Mas é uma série que não chega aos pés da finada My Name is Earl, por exemplo. Quando twittei que ia baixar TBBT, a @amenali me indicou The IT Crowd, outra sitcom sobre o universo nerd/ geek. Mas essa é inglesa, roteiro mais elaborado, diferentes locações, cenários mais trabalhados, além de uma ironia e humor negro irresistíveis.  

A série fala sobre o cotidiano de três colegas de trabalho, funcionários do departamento de TI de uma grande empresa. As personagens Jen, Roy e Moss fazem valer a pena. Eu garanto. Por enquanto são três temporadas, com seis episódios de 20 minutos cada. É muito fácil encontrá-los para download. 

O meu preferido é o primeiro da segunda temporada, em que os três colegas vão parar no teatro, para assistir a uma peça gay. Simplesmente hilário o desenvolvimento da estória. Mesmo também tendo aqueles risinhos, gargalhadas e palmas gravadas, The IT Crowd é garantia de diversão.

Nos vemos numa "Mesa de Bar"


Mesa de Bar estreia dia 23/10. Um filme sem atores profissionais, sem diretor e sem roteirista. Gostei da proposta. Terça irei na pré-estreia.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Feliz Dia das Crianças

A tia Carla era uma bruxa. Até a quarta série eu era considerado uma criança prodígio, um ser superdotado. Ela foi minha professora de matemática no quinto ano, quando passei pro turno da manhã. 

Ela me fez perder o gosto pelos estudos. Só fui recuperá-lo muitos anos depois. Foi o primeiro ano em que fiquei em recuperação, mas passei. A partir de então, fiquei meio rebelde e violento. Brigava direto na escola, matava aula, furtava doces, canetas, lapiseiras, entre outras coisas, em lojas. Minhas notas não eram mais as mesmas.

Questionava a "necessidade" de estudar coisas que nunca iria usar na minha vida. Me tornei um adolescente problemático, tímido e antisocial. Só voltei a ser hábil com as pessoas, quando passei a usar meus dotes de ator. "A vida é um palco". Eu escondo minha timidez tão bem, que consigo até me enganar e não achá-la. 

Um dia, voltando à quinta série, véspera de prova de matemática, não quis estudar. Deitei na minha cama, com os olhos no teto, e comecei a imaginar minha vida de adulto. Não precisaria estudar, só trabalhar, teria meu próprio dinheiro, tomaria minhas decisões. Ninguém as tomaria por mim.

Hoje, um pouco daquela criança continua em mim, apesar de eu ser outra pessoa. Nós não só mudamos física e emocionalmente, nem só amadurecemos. Nós nos tornamos, literalmente, outras pessoas, ao longo de nossas vidas. Eu já fui vários Carlos, Mattheus etc. Gosto do atual, modéstia à parte.

Às vezes me pergunto: será que não estou vivendo o sonho de um garoto da quinta série, que não quer estudar pra prova de matemática?

Feliz Dia das Crianças.

domingo, 11 de outubro de 2009

Maravilha, Alberto: Beirut

Este é o novo espaço de dicas do Proibido Proibir. Música, cinema e outras loucuras interessantes. Este blogueiro está sem muito tempo para escrever e, a menos que você seja um(a) desocupado(a), não quer ler uma avalanche de parágrafos intermináveis. Brincadeira. As crônicas, dissertações, opiniões e afins voltarão. Não sei quando, mas voltarão.

Tudo mostrado aqui terá o padrão Maravilha, Alberto de qualidade. Então, direto ao ponto. A primeira dica é:

Beirut - Elephant Gun

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domingo, 27 de setembro de 2009

Gita, de Raulzito

Gita é um patrimônio da cultura nacional. Lançado em 1974, em plena ditadura militar, o sétimo álbum de Raul Seixas mistura diversos estilos, frutos da influência eclética de sua formação musical, que ia de Gonzagão a Elvis, em um pulo. Com Gita, o cantor, compositor, filósofo e maluco beleza Raulzito conquistou o disco de ouro (600.000 cópias, à época).

No ano de lançamento deste disco, Raul foi preso e torturado, por divulgar em seus shows a Sociedade Alternativa, uma das faixas do disco, que prega a liberdade incondicional: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”. Acabou se exilando nos EUA, mas a grande repercussão nacional que o disco rendeu a Raulzito fez com que ele voltasse ao Brasil.

Muitas interpretações dignas das mais fantasiosas teorias da conspiração cercam este disco e a música que batiza o álbum, mais especificamente. A onipresença do personagem que narra em primeira pessoa sua influência e alcance, e a parte em que Raul canta “A letra A tem meu nome”, renderam acusações de que a música fala do diabo, com quem Raul e Paulo Coelho teriam feito um pacto.

Esta interpretação ignora o próprio nome da música, uma referência explícita à Bhagavad-Gita, a Bíblia hindu, e à Krishna, que segundo o Movimento Hare Krishna é a Suprema Personalidade (Deus). Ou seja, Raul se refere em Gita a um ser onisciente, onipresente e onipotente: sua interpretação de Deus, não muito diferente da ocidental, mas mais rica, pelo desprendimento oriental em relação a tempo e espaço.

É evidente que a amizade e parceria de Raulzito e Paulo Coelho, e o encontro com as drogas, mudaram o teor dos temas e letras das canções de Raul, que se tornaram mais místicas e filosóficas. Um exemplo clássico, que podemos comparar com a metamorfose sofrida por Raulzito, que se tornaria adepto da metamorfose ambulante, é a viagem dos Beatles à Índia. Após ondas lisérgicas, os rapazes de Liverpool voltaram musicalmente mais experimentais do que nunca.

Não pretendo aqui fazer uma defesa do uso de drogas por músicos e artistas, mas os exemplos citados corroboram o fato de que o uso de substâncias ilegais mudou a visão conceitual e estimulou em diversos artistas a incursão por novos elementos musicais. Corrobora esta afirmação a justificativa de Jim Morrison, ex-líder da banda The Doors, que afirmava que as portas da percepção deveriam ser abertas, ao justificar o nome da banda e seu comportamento pessoal, influenciado pelo poema de William Blake: “Se as portas da percepção fossem abertas, tudo apareceria como realmente é: infinito”.

O bom humor de Super Heróis, o romantismo melancólico e ao mesmo tempo sedento de liberdade em Medo da Chuva, o repente anárquico e as críticas de As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor, a leveza de Água Viva, a faceta crooner de Raul em Moleque Maravilhoso, a homenagem ao saudosismo de Sessão das 10, o épico Trem das Sete, o não conformismo de S.O.S., o lirismo de Prelúdio e um ao vivo Loteria de Babilônia completam o irretocável disco.

Gita expandiu os horizontes de Raulzito, que se tornaria o maior roqueiro brasileiro. Estamos no ano de aniversário da morte de Raul. Há vinte anos, aos 44, Raul se tornou Luar. Diversos eventos foram realizados em homenagem ao maluco beleza. Até hoje Raul vende. Shows de homenagem, álbuns póstumos, DVDs, caixas e livros estão aí, para deleite dos fãs.

Movido a drogas, bebida, parceria com um mago, ou a qualquer polêmica que o cerque, o importante é que Gita é um dos álbuns mais inesquecíveis de nossa história musical e, até hoje, lembrado não só por admiradores de Raul, mas por amantes da música brasileira.


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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Aos leitores e amigos

Meus queridos, não me esqueci do Proibido Proibir, nem estou desmotivado a escrever em Blogs. Vários projetos profissionais e tarefas acadêmicas têm me impedido de postar frequentemente, como antes. Mas, estou aqui. 

Até logo. Beijos no cérebro. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Rótulos e julgamentos

Muitas pessoas têm a incrível mania de julgar outras, sem nem sequer conhecê-las. Não só julgar, mas também rotular. É impressionante o número de rótulos que eu carrego.
O intelectual que usa calças xadrez, o CDF que só tira notas boas, o magrelo feioso e baixinho (mas que se fosse só isso mesmo, nunca ficaria com belas e interessantes mulheres), o cara que toca violão mas que não canta porra nenhuma (se bem que Belchior, Chico e Raulzito têm péssimas vozes, mas cantam lindamente, passando uma emoção indescritível a suas composições), o metido a filósofo, o barbudo cinéfilo etc.
Não sei de onde vem a necessidade desse povo, que se interessa tanto pela vida alheia, a ponto de invejar coisas simples. Quer vencer? Quer conquistar coisas boas? Se esforce para tal, não inveje quem tem. Eu não tenho nem 1/4 do que almejo, principalmente profissionalmente (rimou), mas estou trabalhando para conquistar meus objetivos.
Só quem sabe o que eu vivo, o que eu sou e o que penso é quem me conhece bem. Bem mesmo. Poucas pessoas podem dizer que fazem parte deste clube. 
Tem inveja de alguém? Viva a sua vida.
Não gosta de mim como eu sou? Cai fora !!!!!! 
Simples assim... 

domingo, 6 de setembro de 2009

Reticências...

Hoje o tempo está nublado e com um cheiro diferente. Parece que a neblina está entrando pela janela do meu quarto. Sinto angústia e paz, ao mesmo tempo. É estranho sentir coisas tão opostas assim: ao mesmo tempo... Eu sinto que algo mudou. Não sei exatamente o quê, mas acho que sei do que se trata. Pelo menos... Se planejar é bom, mas, às vezes, planos se transformam em sonhos e fogem da gente. 
Reticências...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Hoje estreia "O Milagre de Sta Luzia"

Após escrever sobre o O Milagre de Sta Luzia, no NGJ, é com grande prazer e expectativa que vejo chegar a data de estreia: 28 de agosto. Uma data histórica para o cinema independente nacional.

O primeiro longa de Sergio Roizenblit, e da Miração Filmes, é distribuído por eles mesmos. Uma corajosa empreitada, que pode abrir as portas para que outros filmes também conquistem seu espaço no mercado.

Sergio e a Miração pedem que se você tem interesse em assistir ao filme, privilegie este primeiro final de semana e divulgue para os seus amigos.
"Termos uma boa bilheteria na primeira semana é decisivo para que o filme continue em cartaz na semana seguinte. Conforme o tamanho do sucesso, pode significar uma expansão das salas de exibição, o que seria muito legal".
O filmes estará em cartaz nas seguintes salas e horários: 
Rio de Janeiro

Unibanco Arteplex Sala 3 - Praia de Botafogo, 316 (14:50 e 18:40)
São Paulo
Espaço Unibanco Augusta - R. Augusta, 1.470 e 1.475 (20:00)

Frei Caneca Unibanco Arteplex - R. Frei Caneca, 691 (14:00; 19:00 e 22:10)

Shopping D - Av. Cruzeiro do Sul, 1.100, piso superior (14:00)

Santos
Espaço Unibanco Miramar (18:40)
Não perca tempo. Escolha já sua sessão !!!!

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sábado, 22 de agosto de 2009

Reflexões sobre o Cinema

Terminei de degustar O Clube do Filme. Não sei quando lerei literatura, novamente. Acredito que só quando terminar este semestre letivo. Já começou o período de leituras acadêmicas. A primeira delas é O Texto na TV - Manual de Telejornalismo, da jornalista Vera Íris Paternostro.

Confesso que me surpreendi. Esperava uma daquelas famosas e chatas leituras técnicas, com linguagem rebuscada e pensamentos prolixos. Mas me deparei com uma obra ágil, dinâmica e extremamente prazerosa, sobre o universo da TV. Vera começa contando a história da comunicação, passa para a história da televisão e aborda a evolução tecnológica, até o formato digital. Só na segunda parte do livro que o texto na TV começa a ser destacado.

O Clube do Filme me fez pensar: qual o parâmetro para se definir o que é um bom filme? 

Com o crescimento da indústria cultural, muitos críticos a veem como uma demolidora da arte. De certa forma, eles estão certos. O processo de realização de um filme requer dinheiro e investimento. A não ser que os produtores sejam montados na grana, eles precisarão de parcerias e recursos provenientes de incentivo fiscal. 

Quem investe, quer retorno. Isso é fato. Uma empresa não vai querer colocar dinheiro em um filme sem "apelo" comercial. A Lei Rouanet é injusta nesse sentido. As grandes corporações preferem patrocinar um "projeto" de Caetano Veloso ou Fernanda Montenegro, do que de um "Zé Ninguém". As leis de incentivo à cultura deveriam privilegiar quem realmente precisa deste tipo de apoio. Caetano Veloso e Fernanda Montenegro podem muito bem conseguir patrocínio, sem lançar mão deste recurso. Além disso, com este pensamento, é preferível patrocinar uma comédia boba, do que um denso drama psicológico, por exemplo. 

Isso, somado ao desinteresse massivo pela arte, diminui cada vez mais a potencialidade de sucesso de um filme pequeno. Mas, espero que com o advento da publicidade digital e o marketing de nichos culturais, este quadro se reverta. Acredito que, paulatinamente, isso acontecerá. Já vejo indícios.

Refleti sobre o assunto e reparei que existe outro lado da moeda. Comédias bobas e filmes descompromissados com a expressão artística também têm sua validade. Eu mesmo adoro rir com Todo Mundo em Pânico, por exemplo. Gosto mesmo. Não tenho nenhuma vergonha em admitir.

Acredito que um filme deva ser avaliado pela sua proposta. Se a intenção do diretor é fazer rir, beleza. Se um filme não tem mensagem, só lutas, tudo bem. Quem não precisa apenas se distrair, de vez em quando?

Após um dia estressante de trabalho, o sujeito vai preferir ver Bergman ou uma leve comédia romântica? Há espaço para tudo. Arte e diversão. Cultura e entretenimento. Risos e lágrimas. 

Então, um bom filme seria aquele que atinge os seus objetivos. Mas é tão bom quando esses objetivos vêm carregados de arte e beleza...

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Amor pelo Cinema

Ontem à noite, comecei a ler O Clube do Filme, livro sobre o qual falei, no post anterior. Já foram 121 páginas de uma leitura deliciosa (procurei um adjetivo melhor, mas achei este mais adequado).

Existe uma grande diferença entre amor e paixão. Acho que metáforas, muitas vezes, explicam melhor do que a própria explicação. Então, vamos a uma boa metáfora. Seria algo do tipo: amor é navegar em um mar calmo e límpido, num dia de sol fraco e agradável. Paixão é enfrentar uma tempestade, com ondas altas. Você não sabe se sente enjoo, pelo balanço no barco, ou se aproveita o prazer do perigo.

É. Foi muito clichê... Já que estamos falando de cinema, usemos uma metáfora mais... cinematográfica: amor é um filme francês, com longos diálogos em cafés, seguidos de passeios em belas ruas desertas, onde se ouvem mais os passos das pessoas, do que qualquer outra coisa. Paixão seria um western violento, em que o mocinho, além de ter que lutar contra desafetos e inimigos, ainda tem que enfrentar perigos de ordem natural, para, no fim, ficar com a dama.

Paixão acaba. Amor, não. Pessoas importantes entram e saem em nossas vidas. Mas elas sempre vão ter um espaço, uma lembrança, um carinho adormecido... por mais que estejam longe. A paixão é diferente. Ela precisa ser renovada, estimulada... ou a chama apaga. Ela pode ficar fraca e renascer, forte e impiedosa. Ou, pode simplesmente deixar de existir.

Meu amor pelo cinema é inexplicável. Não é possível colocar em palavras o prazer que me proporciona assistir a um bom filme. Teve uma época em que eu via, no mínimo, dois filmes por dia. Além de ver todos os filmes em cartaz (sim, eu disse todos), ainda alugava aqueles pacotes promocionais em videolocadoras.    

Eu guardava os ingressos dos filmes em uma caixa de sapatos. Até um dia em que minha irmã viu a caixa e resolveu somar quanto dinheiro eu tinha gasto com cinema. Eu considero que foi um investimento, não um gasto. Mas, era muito dinheiro. Ao invés de parar de ir ao cinema, parei de colecionar os ingressos. Boa tática, Mattheus.

Isso foi há muitos anos. Quando comecei a baixar filmes, deixei de ir tanto ao cinema. Confesso que esta prática apagou um pouco a chama da paixão. Aquele friozinho na barriga pela espera da estreia do filme tão aguardado acabou. Eu poderia baixá-lo a qualquer momento. Às vezes, antes mesmo da estreia. Me senti como se tivesse um harém com as mulheres mais lindas do mundo à minha inteira disposição. Poderia escolher qualquer uma, à hora em que eu bem entendesse. Perde um pouco da graça. O tempo de espera entre o conhecimento do filme e a estreia, era como se fosse o tempo de conquista de uma muher desejada, antes do beijo.

O Clube do Filme reacendeu a paixão adormecida. Além do livro prender a atenção, com um argumento muito interessante e uma narração extremamente ágil, a ode ao cinema está ali. Me senti um velho amigo do autor, além de me reconhecer em diversos trechos do livro. Ele descreve suas cenas preferidas de determinados filmes (como a do triciclo no corredor do hotel, em O Iluminado), e descreve pontos de vista muito parecidos com os meus e, em alguns casos, exatamente iguais.  

Mais do que isso: ele demonstra como é interessante estar aberto a outras visões e interpretações, para, assim, nos enriquecermos ainda mais. A arte não pode ser definida e rotulada, acredito eu. A arte se desenvolve ao mergulhar no íntimo de cada pessoa, ao provocar reações que vão de encontro a sentimentos únicos e pessoais, que irão influenciar diretamente na apreciação e no entendimento de determinado filme, quadro, música, ou o que quer que seja. Até uma paisagem pode ser incluída no pacote. Sim, a natureza também é arte, a meu ver.  

Gostaria de me aprofundar mais no assunto cinema, mas, o texto ficaria gigantesco, e não quero te cansar. Então, em um próximo post, falarei sobre o preconceito contra filmes sem apelo artístico. 

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Existem 2 David Gilmour`s


Nossa. Parece até que abandonei o Blog. Mais de uma semana sem postar nada. Não faltou inspiração. Faltou mesmo é tempo.
Tenho aproveitado minhas férias de forma diferente. Além de comer muito, dormir muito e *não* beber muito (sim, são 5 meses sem uma gota de álcool sequer), descobri novas formas de brincar de Lego, novas formas de passear e apreciar lugares conhecidos - como se não os conhecesse e estivesse fazendo a primeira visita -, novas filosofias de vida (passei um fim de semana em um hotel Hare Krishna, em Pindamonhangaba), fiz várias novas amizades, me tornei um agente Brazucah, voltei a frequentar a Maratona Odeon, entre diversas outras coisas (nenhuma desinteressante, mas que não cabe aqui enumerar).
Você já reparou que adoro introduções meio desconexas, não é? Então vamos ao que interessa: o que me fez sentar na frente do PC hoje e bolar um texto para o Proibido Proibir, foi um acontecimento no mínimo peculiar, que muito tem a ver com a profissão que escolhi seguir.
No Jornalismo, um fator é essencial para se veicular uma notícia (seja em que mídia for, inclusive o Twitter), é a devida apuração do fato. A tecnologia e as ferramentas virtuais que temos à disposição podem ser usadas como agregadoras de conhecimento. Isso faz com que tenhamos uma nova geração cada vez mais independente e autodidata. 
Mas, esse conhecimento traz consigo a hipervelocidade de troca de informações e experiências virtuais (tudo em tempo real), e uma espécie de ânsia, provocada justamente por essa tecnologia e pelo desejo de autoexposição que só ela pode proporcionar (ou não). Um desejo que, quando recompensado por algum acontecimento extraordinário, não dura mais do que 15 apoteóticos minutos de fama cibernética, em sua grande maioria, ou 140 caracteres sobrenaturais, que vão embora junto com o vento do esquecimento.
Soubemos das manifestações populares e das consequentes truculências governamentais que aconteceram recentemente no Irã, e ainda reverberam, não pelos mais de 600 jornalistas que estavam lá cobrindo a reeleição de um presidente ultraconservador. Mas por cidadãos, munidos de celulares com câmera fotográfica e contas no Twitter e Blogs.
O que levou ao debate provocado por esta afirmação: a notícia existe por si só. Afirmação que é falha, por ignorar que é necessário, ao menos, uma testemunha ocular que possa veicular a notícia, para assim, sim, ela existir. Acontece que o Twitter, como caso de análise específico,  preza pela velocidade. Se você não lançar sua informação rapidamente, outros o farão. Por que, às vezes, gigantes empresas, como a ABC, a CNN ou a CBS perdem para twitteiros anônimos? 
Porque elas apuram a notícia, antes de publicá-la. E isso, às vezes, leva tempo. Dei exemplos genéricos de veículos de comunicação. Como grandes empresas muitas vezes estão mais preocupadas com o lucro do que com a ética (o que não deveria acontecer), não posso afirmar com certeza se as citadas lançam mão deste recurso. Apesar de querer acreditar que sim.
Existem dois pontos de vista interessantes sobre o Twitter: José Saramago diz que os 140 caracteres levarão o ser humano à linguagem do grunhido. Cada vez mais a síntese está substituindo o poder da rica explanação. Por outro lado, há quem diga que a evolução da informação, neste panorama, está justamente na síntese. Que os 140 caracteres são suficientes para circular uma notícia, que irá competir com inúmeras outras, diariamente. Que só assim a quantidade ilimitada de mensagens pode coexistir pacificamente. 
Para mim, só existia um David Gilmour. O genial compositor, cantor e guitarrista, ex-membro do Pink Floyd. Soube do lançamento do livro Clube do Filme, que conta uma história real super interessante: pai vê o filho de 15 anos ir de mal a pior nos estudos e propõe que ele abandone a escola, desde que vejam juntos 3 filmes por semana, escolhidos pelo pai. 
Só pela história, compraria o livro. Realmente, o comprei. Mas só vou ler depois que terminar Todos os Nomes, do Saramago. Mas, o que me levou a só citá-lo agora, após o discurso acima, foi o seguinte: vários twitteiros e blogueiros afirmaram que o livro foi escrito pelo David Gilmour, o  genial compositor, cantor e guitarrista, ex-membro do Pink Floyd.
Na verdade, foi escrito por outro David Gilmour: um crítico de cinema canadense. Ou seja, existem 2 David Gilmour`s. A má apuração, ou a falta dela, deve ter provocado a decepção de vários admiradores do artista.
Eu não visitarei mais vários Blogs e parei de seguir alguns twitteiros, por isso. Mas, a vontade de ler o livro, apesar de não ser do David Gilmour, o  genial compositor, cantor e guitarrista, ex-membro do Pink Floyd, não passou. O que me chamou a atenção foi a história do livro. 
O David Gilmour, crítico de cinema canadense, esteve na Travessa do Barra Shopping, com seu filho, para uma palestra. Tive a oportunidade de exercitar meu inglês, ao trocar umas palavras com eles, após a palestra (conduzida de forma sonolenta). Eles são legais. E cinéfilos, como eu.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Clint Eastwood continua bom de briga

Luanda de Lima, como bem sabe que sou um adepto dos downloads, me entrevistou para uma matéria que escreveu sobre o tema. Antes de falar sobre o velhinho do título do post, transcreverei parte de meu relato, para ir ao ponto.

"Acho uma grande hipocrisia esse papo de download acabar com a arte e com o lucro. Não tenho visto nenhum grande estúdio fechar as portas. Pelo contrário, muitos estão se juntando e se fortalecendo. Agora, é claro que quem ganhava bilhões, vai se incomodar de ganhar milhões ou milhares. Nem o download gratuito e 'ilegal' vai acabar com a arte. Antigamente, um banda tinha que assinar contrato com alguma gravadora para ter uma chance de fazer sucesso. Além disso, como era a única saída, muitos contratos eram abusivos. Hoje, isso é diferente. Qualquer pessoa pode gravar um disco com ótima qualidade, em casa, divulgar na internet e formar seu público. Cada vez mais o espaço e a visibilidade estão aumentando. Sem contar que o download gratuito trambém é uma forma de divulgação (gratuita, para o artista). O Teatro Mágico é um exemplo disso. Se não fossem os downloads de suas músicas (estimulados por eles próprios), eu não os conheceria. É impossível mensurar o prejuízo das gravadoras, quanto ao download gratuito. Nem todo mundo que baixa uma música de determinado artista compraria o CD. Nem todo mundo que baixa um CD inteiro deixa de comprar o físico. Isso vale pro cinema, também. Um grande exemplo é o filme Tropa de Elite. Se não fosse o suposto vazamento de uma edição não finalizada, o filme faria tanto sucesso? Fica a questão".

Pois bem, continuo indo ao cinema, apenas com uma frequência menor. Quis falar sobre download ao invés de ir direto ao ponto, pelo seguinte: além de eu não pagar nem R$100,00 por mês pelo acesso a uma banda larga de boa velocidade, conheço as ferramentas de busca e download de filmes, música etc. 

Visto isso, imagine a quantidade de filmes, por exemplo, que tenho à disposição. É muita coisa. Então, lanço mão de uma triagem, nem sempre rigorosa. Existe uma lista de prioridades. Aliás, a vida é assim, feita de escolhas e prioridades. As indicações de amigos, muitas vezes, são indispensáveis à minha lista.

Já tinha visto os trailers dos últimos filmes de Clint Eastwood: Gran Torino e A Troca. O primeiro me interessou, mas não a ponto de ganhar lugar de destaque na lista. O segundo não me despertou vontade alguma. Mas, Renan Canuto escreveu sobre as duas obras, em seu Blog. Resolvi levar em conta as indicações e passei na frente de um bando de filmes, na minha já mais do que citada lista.

Gran Torino é ótimo, apesar da história já meio batida, de uma grande e improvável amizade entre pessoas muito diferentes. Um veterano da guerra da Coreia (o próprio Eastwood), rabugento e conservador, não aceita a cosmopolização (existe esta palavra?) de seu bairro. Uma daquelas gangues étnicas, famosas nos filmes de Hollywood, dá início a um violento conflito, que mudará completamente a vida das pessoas envolvidas.

A Troca, sem dúvidas, é um dos melhores filmes que assisti neste ano. Uma história real, passada em Los Angeles, fim da década de 1920 e início da de 30. O filho de Christine Collins (interpretada brilhantemente por Angelina Jolie) some e é achado pela polícia meses depois. Mas Christine percebe que o garoto não é realmente seu filho. Apenas por questionar a polícia, uma mãe desesperada é jogada em um hospital mental e tratada como louca. Com a ajuda do Reverendo Gustav Briegleb (John Malkovich), Christine ganha força e o apoio da opinião pública, para dar prosseguimento à sua dolorosa luta. Filme impecável.

Valeu pelas dicas, Renan. As compartilho aqui com os leitores do Proibido Proibir. Eastwood entrou para a minha lista de diretores que sempre merecem ser vistos.

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